O
trabalho com Art Clay, tão recente no mundo e mais no Brasil,
ainda causa certo receio dentre os profissionais do meio joalheiro.
Dentre os mais herméticos, incrivelmente, estão
alguns novos joalheiros, pessoas com poucos anos de profissão.
Já dentre aqueles com “trinta anos de bancada”,
a receptividade tem sido bem melhor. Eles enxergam a Art Clay
como um material que veio se somar, e não competir, a seu
tradicional ofício.
Existem situações,
no entanto, em que a Art Clay pode ser uma boa alternativa tanto
às técnicas de joalheria tradicional quanto à
modelagem em cera, por exemplo, quando desejamos aplicar desenhos
e texturas na superfície da prata. Na joalheria artesanal
tradicional, esse estampo normalmente é feito com punções
ou passando-se uma chapa de prata no laminador com algum material
texturizado – como rendas, folhas secas, recortes de papel
e placas de metal com texturas.
A
diferença principal em se aplicar texturas sobre a Art
Clay é que se trata de uma massa maleável com textura
não-elástica similar à da argila, que ao
contrário de se texturizar uma placa de metal rígido,
torna-se um trabalho simples, prazeroso e muito mais preciso.
Martelar uma punção não faz textos lineares,
laminar uma chapa acaba deformando-a e ao desenho. Aplicar uma
textura sobre uma placa úmida de Art Clay Silver pode ser
tão fácil quanto aplicar um carimbo.
Além
da grande diversidade de carimbos com desenhos maravilhosos disponíveis
no mercado, o artista pode fazer a sua própria placa de
textura a partir de desenhos já existentes. O trabalho
de transformar um desenho 2-D em uma placa 3-D fica a cargo de
qualquer empresa que faça carimbos sob encomenda; atualmente,
é possível fazer carimbos a partir de qualquer desenho
em preto-e-branco do tamanho que se desejar em menos de uma hora.
Outra maneira mais simples de se fazer um carimbo é esculpir
uma borracha de vinil, dessas escolares de capinha verde à
venda em qualquer papelaria, com o auxílio de um estilete
ou um conjunto de goivas.
Uma maneira
bastante utilizada na joalheria tradicional para se aplicar texturas
em chapas de prata é o uso de ácido. Uma chapa é
recoberta em áreas designadas com goma-laca, tinta a óleo
ou qualquer outro material resistente à água, e
posteriormente submersa no ácido fluorídrico, que
corrói as áreas expostas da placa criando um alto-relevo
na peça. Esse procedimento é bastante perigoso pois
envolve a utilização de ácido fluorídrico
que é altamente lipofílico, e até seus vapores
em contato com a pele podem causar grandes danos à mesma.
Esse mesmo
processo pode ser aplicado sobre Art Clay Silver utilizando-se...
água! Por ser um material à base de prata pura e
um aglomerante hidrossolúvel, é possível
obter os mesmos resultados da corrosão da prata mas com
um material absolutamente inofensivo. Sobre uma chapa já
seca de Art Clay Silver aplica-se uma máscara de material
à prova d’água – minha opção
é cera de abelha, que além de ser facilmente aplicada
com uma lamparina e uma agulha também é atóxica
quando queimada – e coloca-se em um recipiente com um pouco
de água. Pode-se também auxiliar a retirada da massa
com um pincel molhado. Ao final, seca-se bem a peça e procede-se
à queima normalmente, utilizando-se de um maçarico
ou forno de alta temperatura. Além disso, a Art Clay Silver
que restar no fundo daquele recipiente com água pode ser
completamente recuperada e reutilizada, tornando o processo ainda
mais vantajoso.
A
verdade é que a Art Clay Silver é um material ainda
bastante novo no cenário da joalheria artesanal - se comparado
às técnicas tradicionais, e todos que escolhemos
criar também com esse material somos agentes dessa nova
tecnologia. Há técnicas novas surgindo a cada dia
e experimentação é a palavra de ordem.
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