A joalheria artesanal
sempre andou de mãos dadas com a metalurgia. Quando
recozemos uma peça para amolecê-la, quando misturamos
cobre na prata para criar uma liga mais resistente ou
ainda quando esquentamos a peça para fazer a solda
correr, estamos nos utilizando de séculos de
conhecimento metalúrgico, muitas vezes sem nos dar
conta.
Na década de 1970, um
braço da metalurgia deu um grande salto tecnológico: a
Metalurgia do Pó. Trata-se da fabricação de peças
metálicas a partir de pó de metais que são conformados
e posteriormente passam por um processo de sinterização
em altas temperaturas, produzindo peças de formas
complexas com maior economia de energia e menor descarte
de material, se comparado às formas tradicionais -
fundição e usinagem.
Há cerca de dez anos,
essa nova tecnologia chegava à joalheria artesanal, com
a criação dos produtos Art Clay Silver e Art Clay Gold
22K. Utilizando-se de processos da metalurgia do pó, a
Aida Chemical Industries do Japão desenvolveu uma massa
formada de pó de metal precioso - ouro ou prata - que
pode ser modelada manualmente e sinterizada em
equipamentos simples: um forno de alta temperatura, um
maçarico ou até mesmo o fogão de casa.
A
série de produtos Art Clay acaba de chegar ao Brasil,
oferecendo a artistas de diversas áreas mais uma fonte
de inspiração. Por sua facilidade de trabalho e
versatilidade, pode ser utilizado nas mais variadas
formas de artesanato: da joalheria à cerâmica, passando
pela confecção de acessórios, artesanato em cerâmica
plástica, scrapbooking, porcelana, etc. No entanto, é
na joalheria que se encontra o principal atrativo da Art
Clay: mesmo sem possuir técnicas refinadas ou
ferramentas específicas, qualquer pessoa pode criar sua
própria jóia.
A Art Clay Silver é
composta de 92% de pó de prata pura, um agregado
orgânico derivado da celulose completamente atóxico e
água. Enquanto úmida, a massa tem consistência
parecida com a da argila e pode ser modelada como tal.
Após a secagem, adquire uma textura similar a uma peça
de gesso e nessa fase pode ser limada, lixada e
esculpida. Outras peças podem ser adicionadas, úmidas
ou secas, bem como pedras, vidro, etc. Posteriormente, a
peça é queimada numa temperatura que varia de 650 a
850°C, para a prata, e a 999°C para o ouro. No caso da
Art Clay Silver, a queima pode ser feita também com um
maçarico - basta trazer a peça à temperatura de solda
- ou sobre uma tela de aço na chama de um fogão
caseiro.
A linha de produtos Art
Clay Silver conta com diferentes versões do material.
Além da já citada forma de argila (Clay Type), há
também: a Paste Type, uma forma diluída utilizada para
consertar partes quebradas e grudar peças de Art Clay
secas; a Syringe Type, que vem em uma seringa com bicos
finos que permite a execução de traços e filigranas; a
Slow Dry, que tem um tempo de secagem mais longo,
permitindo a manipulação da massa por mais tempo; a Oil
Paste, uma pasta à base de óleo, utilizada para unir e
reparar peças já queimadas (uma espécie de
"solda"); a Overlay Paste, que é uma pasta
formulada especialmente para ser aplicada sobre vidro,
cerâmica e porcelana; e a Paper Type, em forma de papel,
que pode ser cortada, perfurada, ou até dobrada como um
origami. Em todas as formas, o resultado é uma peça com
99,9% de prata pura após a queima.
Por se tratar de um
material inédito no país, a Art Clay Brasil, em
parceria com o Ateliê Califórnia 120, está ministrando
uma série de cursos introdutórios para apresentar o
produto e ensinar as técnicas básicas do trabalho com
Art Clay. Além desses cursos, está sendo montada a
primeira turma do curso de certificação, que permitirá
aos alunos tornarem-se instrutores certificados.
A Art Clay,
diferentemente de técnicas como a fundição em cera
perdida e o CAD/CAM, é uma ferramenta genuinamente
direcionada à joalheria artesanal. No próximo mês,
veremos como a Art clay pode ser usada como elemento
diferenciador na produção de peças únicas aliada a
técnicas joalheiras tradicionais.
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